sábado, 26 de novembro de 2011

Assim Como Viver

Está implícito. Assim como um aceno demorado diz sem dizer ''quero estar mais perto''. Já ouvi falar que é como colocar uma mensagem dentro de uma garrafa e atirá-la ao mar: a possibilidade de que alguém a recolha e leia é remota. Acho que assim minha preferência por Textos Literários se justifica de imediato, por saber que quem escreve, faz da alma tinta, e coloca parte de si numa garrafa esperando que um dia alguém a recolha, alguém estranho talvez, alguém que nunca verá nesse mundo que é tão grande e mudo. Remota sim, mas real. Então se certa manhã, tarde ou noite quem recolhe a tal garrafa compreende o que escreve, compreenderá sua alma em tinta, entenderá parte do seu eu, e isso fará desse mundo que é tão grande não mais mudo, o trazendo aos seus pés (assim como viver). 
Está implícito. Sempre existe no final um ''assim como viver'' pois se existe nessa escrita uma parte do escritor, existe vida e existe emoção. As intenções são as melhores. Ensinar a viver é um dom, mas quem se atreve a me dizer que aprendeu? Somos pobres mortais, mas diria que a habilidade de reconhecer o que é importante é que nos difere: eu leio o que você lê, você entende, eu não tão bem. 
Atiro ao mar uma garrafa e vivo, esperando me comunicar para lembrar-me que continuo tendo aos meus pés o mundo. Seja qual for o destino, já aprendi que a felicidade se encontra mesmo na viagem e que o movimento nos ajuda a existir. Sei que o mar cuidará de minha garrafa e que alguém poderia levar consigo algo da mensagem. Ou não. Entretanto há certo gosto em pensar sozinho, é mesmo ato individual, como nascer e morrer.

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