quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Rei Menino: Parte I
Será que pode alguém aproveitar algo em quimeras de um menino? Meras vivências de quem vive e devaneia aquilo que vive, enquanto vive. Alguém a quem pertence sonhos tão bobos que prefere guardar pra si. E gosta de carrega-los onde vai. Talvez por achar que estaria muito a baixo de tantos sonhos que beiram epopeias: alguns que visam mil lugares; outros que visam mil pessoas; lembra de um que ouviu que visava mil coisas; um a mais que levaria mil anos e visavam pessoas como coisas; e mais um que repetir-lo ele não ousa. Acha curioso quem constrói um sonho. Pois se é construído, quem tem a planta de tal façanha? Garanto que enriqueceria quem vendesse um papel com as instruções de como construir um sonho. Só mais uma consideração sobre os dias em que pessoas poderiam mesmo comprar um sonho de alguém se lhes dissessem como realiza-lo. O menino agora se sente ainda mais acanhado. Viu que seu sonho aos olhos de outros soaria desambicioso. Mas poderia seu maior querer em vida, por mais simples e frágil que fosse, ser julgado por faltar-lhe ambição? Seu medo agora é contar a alguém o sonho que resume todo seu encanto, e receber em troca um que quer, mais que tudo, ter o carro do ano. Mas um dia ele descobre seu depois, "ah se descobre!", mesmo sem saber o quando, o onde, o como e o quem. Anseia. O curioso é que tal devaneio de vida poderia acontecer num único instante. Com não mais que duas pessoas. Com ou sem coisas as quais chamamos de roupas. E o lugar seria apenas moldura, isso pra ele não importa, se depois da porta quem o chama, chama de um quarto, chama de uma cama.
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