Tem gente que gosta de automático. O corpo é uma boa máquina, tem essa função, basta girar o controle. Assim, em cada ambiente ele saberá o que fazer: interpretar e agir; correr ou devagar sair; rir talvez, depende muito da luz, mesmo claro sendo o ambiente, quem são os objetos de cena? Prefiro o manual: descobrir e experimentar; não saber se vou rir ou voar de repente; fazer ajustes de acordo com minha própria luz; priorizar velocidade ou claridade; congelar o momento ou dar a ele um certo movimento fazendo-o existir. Não gosto de automático, ele erra demais, não posso colocar em suas mãos a tarefa de fazer fazer uma boa foto, principalmente quando alguém mais, irrevogavelmente, terá uma cópia dela.
Gosto de ser eu. Gosto de aprender e fazer mosaicos no muro sem cimento que sou. Mas apenas sou, não busco ser, sou. Tentar ser você mesmo é se afastar mais e mais de quem és. Não se tenta esse tipo de coisa, é loucura! Não pense nunca que os quereres de teu corpo e alma não são os teus verdadeiros quereres, desista! São eles quem mandam. São eles que escolhem as peças do tal mosaico, e não estranhe se te derem uma grande que ocupe muito espaço em seu mural: corpo e alma também escrevem certo por linhas tortas, se te parece torto, não se preocupe, ainda assim é certo, é só você com frio pedindo cobertor, um que não deixe seus pés de fora, mas que também não faça desnecessária a companhia.
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