Sem reflexão necessária: ao acaso; à sorte; fortuna próxima; felicidade; destino; risco; perigo. Como abrir a porta de manhã com olhos fechados e rosto para fora, não fazendo ideia do que o mundo te preparou para esse dia. Fato extraordinário. Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado. A gente corre esperando por isso, gritando talvez: ''Surpreenda-me! Agora!'' Mas a ventura é criança: bonita; encantadora; cortina no vento; é pra ser amada; imprevisível; mimada. Faz birra sem saber porque. Uma estrada de querer, na qual você corre, inebriado, buscando o que chama de livre, de vento, de fuga, sem se preocupar com rugas. Extasiado. Pisando a terra e olhando o céu. ''Surpreenda-me! Surpreenda-me agora!''
Se o amor é patético? Claro que é! Mas este é pseudônimo para íntimos. Não ouso dizer como ser íntimo de tal grandeza. Ninguém entenderia, pois não saberia explicar. É assim: descoberta. Depois então se quiser xingá-lo, xingue-o, ele te perdoará por qualquer coisa. Nobre. Não só te perdoará como te devolverá aquilo que um dia fingiu pegar emprestado e não devolver. Ele gosta mesmo de brincar. Ama. Mas sabe o que faz. Que diferença trás? Dentro de você fica o que você deixa ficar, passeia o que você leva pra passear, se arremessa o que você faz se jogar. E aqui vou eu outra vez falando de amor. Desculpe. Prefiro morrer de desventura ao matar meu pensamento. Afinal, não existe mesmo ventura maior frente a mais nobre de todas: a ventura do fascínio recíproco; do secreto; do que todos conhecem por amor.
No boteco da vida peço mais da eterna aventura: ''Mais, bem mais, por favor!'' Sei que me atenderão, ou já me atenderam e minha sede vai além. Insaciável ela não é, mas se dissesse o que a faria satisfeita teria medo da resposta. Portanto é insaciável até que se prove o contrário. E que seja mesmo: que seja sede; querer; anseio; mais sede; mais céu e carrocel; mais água; mais chuva e guarda-chuva; mais ventura. Pois só sei que realmente estou aproveitando o verão quando fico gripado. Banho de chuva inesperado que só fez rir de mim. É só o que prefiro, é só meu jeito louco as vezes, é só vivência de um menino que sabe da vida o que sabe da sua jovem idade, muito pouco. Só do que sei de mim aos outros conto. De mim atravessado pelo mundo.
Porque sem "a ventura do fascínio recíproco"...
ResponderExcluir"Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver."