terça-feira, 20 de dezembro de 2011

À Ventura

Sem reflexão necessária: ao acaso; à sorte; fortuna próxima; felicidade; destino; risco; perigo. Como abrir a porta de manhã com olhos fechados e rosto para fora, não fazendo ideia do que o mundo te preparou para esse dia. Fato extraordinário. Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado. A gente corre esperando por isso, gritando talvez: ''Surpreenda-me! Agora!'' Mas a ventura é criança: bonita; encantadora; cortina no vento; é pra ser amada; imprevisível; mimada. Faz birra sem saber porque. Uma estrada de querer, na qual você corre, inebriado, buscando o que chama de livre, de vento, de fuga, sem se preocupar com rugas. Extasiado. Pisando a terra e olhando o céu. ''Surpreenda-me! Surpreenda-me agora!''
Se o amor é patético? Claro que é! Mas este é pseudônimo para íntimos. Não ouso dizer como ser íntimo de tal grandeza. Ninguém entenderia, pois não saberia explicar. É assim: descoberta. Depois então se quiser xingá-lo, xingue-o, ele te perdoará por qualquer coisa. Nobre. Não só te perdoará como te devolverá aquilo que um dia fingiu pegar emprestado e não devolver. Ele gosta mesmo de brincar. Ama. Mas sabe o que faz. Que diferença trás? Dentro de você fica o que você deixa ficar, passeia o que você leva pra passear, se arremessa o que você faz se jogar. E aqui vou eu outra vez falando de amor. Desculpe. Prefiro morrer de desventura ao matar meu pensamento. Afinal, não existe mesmo ventura maior frente a mais nobre de todas: a ventura do fascínio recíproco; do secreto; do que todos conhecem por amor.
No boteco da vida peço mais da eterna aventura: ''Mais, bem mais, por favor!'' Sei que me atenderão, ou já me atenderam e minha sede vai além. Insaciável ela não é, mas se dissesse o que a faria satisfeita teria medo da resposta. Portanto é insaciável até que se prove o contrário. E que seja mesmo: que seja sede; querer; anseio; mais sede; mais céu e carrocel; mais água; mais chuva e guarda-chuva; mais ventura. Pois só sei que realmente estou aproveitando o verão quando fico gripado. Banho de chuva inesperado que só fez rir de mim. É só o que prefiro, é só meu jeito louco as vezes, é só vivência de um menino que sabe da vida o que sabe da sua jovem idade, muito pouco. Só do que sei de mim aos outros conto. De mim atravessado pelo mundo.    

Um comentário:

  1. Porque sem "a ventura do fascínio recíproco"...
    "Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver."

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