sábado, 24 de março de 2012

Carpete Verde

Ouvindo "By The Way" do Red Hot Chili Peppers. Volto. Certamente meu quarto já foi mais tradicional. Já teve paredes lisas pintadas de verde com carinho de mãe. Verde. Criança é assim mesmo, pintaria o quarto de vermelho ou roxo caso fosse a cor do time de coração, e ai de quem não deixasse. No meu quarto já teve carpete pra poder deitar e brincar no chão, e que tristeza senti quanto arrancaram meu quente e macio chão de pano - que também era verde - para dar lugar a um frio e duro chão de pedra, que não servia nem de base para os bonequinhos do mal - capangas, sub-chefe e chefão (sempre nessa ordem, afinal, é necessário ordem para acabar com vilões perigosos) - e muito menos servia de estrada e estacionamento para carrinhos, e pior, não servia de lugar nem para escolher-los antes de começar a brincadeira - pois a verdadeira diversão de brincar de carrinho para mim era escolher os que mais gostava. Não foi fácil. E já teve tempos em que a única coisa escrita na parede era meu nome. Estava aprendendo, precisava praticar, mas minha mãe não entendia muito bem. Hoje ainda tem estrela no teto aqui, estrela que brilha no escuro e que um dia me ajudaram a dormir. E ainda ajudam. Despontam agora uma parede azul escuro e três brancas que quase não são mais vistas, cobertas de tinta, de palavra, de poesia, de desenho, de fotografia. Cobertas de saudade que no auge dos meus anos de menino nem imaginaria que um dia teria tanta sorte em sentir. Num canto em baixo da cortina pastel tem livro do Vinicius no chão ao invés de gibi da Turma da Mônica - falando nisso, preciso de novos - mas agora tenho um novo velho livro do mestre pra ler. Acabou "By The Way". Crescer não é fácil, a música acabou e infância só vira infância quando deixa de ser. Volto.

Um comentário:

  1. Traduziu, com outros detalhes, uma realidade que eu também conheço. Adorei :)

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